/ Ciência Filosofia

Reflexões sobre o pensamento abstrato

Há várias definições sobre pensamento abstrato. É um tema complexo. Para alguns, trata-se da capacidade de pensar sobre coisas desconhecidas ou não concretas.

Para outros, é pensar sem o apoio de sistemas de referência do mundo material ou além da realidade objetiva. Podemos incluir também formulações hipotéticas sobre os eventos que nos rodeiam, incluindo situações ou coisas improváveis ou imponderáveis. Há quem simplifique e diga que é “pensar fora da caixinha”. E por aí vai.

A respeito dessa questão, é muito interessante a abordagem de Max Heindel em sua obra “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Aprofundando-se nos Ensinamentos Rosacruzes, ele nos remete ao Mundo do Pensamento, afirmando que na Região do Pensamento Abstrato são geradas as ideias. Essas ideias se manifestam como pensamentos-forma na Região do Pensamento Concreto. Para o estudante Rosacruz familiarizar-se com o Pensamento Abstrato, Max Heindel recomenda principalmente o estudo da matemática, porque essa atividade não sofre a influência do sentimento e do desejo. Música e matemática situam-se para além das demandas sórdidas do cotidiano.

Outra sugestão do fundador da Fraternidade Rosacruz é estudar e meditar sobre os Períodos e Revoluções, porque consiste em um bom exercício de pensamento abstrato. Quando meditamos sobre as características dos Períodos que antecederam o Período Terrestre, nós criamos pensamentos sobre algo que não encontra comparação na Região Química do Mundo Físico. Quando refletimos sobre a existência de Mundos Espirituais que nos envolvem, com mais facilidade superamos a influência das correntes caóticas do Mundo do Desejo onde imperam as inclinações egóicas e passionais. Esses sentimentos, em geral, obscurecem a percepção da verdade e sugestionam o psiquismo.

Pensar abstratamente é ir além do pensamento comum.

É transcender os limites do Mundo Físico, onde a consciência humana se referencia na dualidade e na polaridade. A realidade neste campo de evolução, concreta e polarizada, apresenta-se como “bem” e “mal”, “luz” e “sombra”, “inferior” e “superior”, etc., e ao ser humano cabe exercitar sua capacidade de discernir e de fazer escolhas.

Como podemos assegurar que a realidade que observamos é a expressão de uma Verdade Maior?

Quando adotamos a realidade objetiva como sendo a única verdadeira, somos induzidos a observar e viver a vida sempre através de pares de opostos, que se excluem mutuamente, formando dicotomias. Dessa forma construímos uma visão limitada, incapaz de perceber a complementaridade entre os opostos e a totalidade da Vida. Em verdade, a existência de um pólo pressupõe a existência do pólo oposto. Algo é rotulado de “mal” porque sua referência comparativa é o seu oposto, o ”bem”. Entretanto, conceitos de “bem” ou de “mal” estão sujeitos ao relativismo dos conceitos adotados por nós, em geral, são crenças parcializadas e limitantes.

O grande desafio é pensar além ou acima dessa dualidade, sem o envolvimento de sentimentalismo, emotividade ou ansiedade, e encontrar uma síntese mais próxima da Realidade. Com esse objetivo em mente, podemos colocar em andamento o processo de refinamento do pensamento abstrato, que permite alcançar as Sublimes Verdades Espirituais.

Por Gilberto Silos

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