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O Sacrifício- Andrei Tarkovski

Será que o homem tem alguma esperança de sobrevivência diante dos claros sinais de silêncio apocalíptico iminente?

A Resposta para essa pergunta deva ser encontrada na lenda da árvore ressequida, desprovida da água da vida, na qual baseei esse filme que tem tamanha importância em minha biografia artística: o Monge, passo a passo e balde após balde, sobe a colina para regar a árvore seca, acreditando implicitamente que seu ato era necessário e em nenhum momento duvidando da sua crença no poder milagroso da sua fé em Deus. Viveu para assistir ao Milagre: certa manhã, a árvore explode em vida, os ramos cobertos de folhas novas. E esse milagre, sem dúvida, nada mais é que a verdade. ( O Esculpir do Tempo- Tarkovski)

O cinema contemplativo, espiritual e poético de Tarkovski sempre pode ser a melhor companhia em tempos sombrios. Primeiro por nos lembrar que nossos antepassados também vivenciaram dias escuros, e que alguns nobres homens utilizaram as cinzas, o carvão e as sombras para deixar suas marcas e a prova do parentesco mais próximo com o Criador.

O Sacrifício narra a história de Alexander, um ator aposentado que vive com sua família em um lugar úmido e isolado. Alexander é o homem que ensina o filho a regar a árvore morta, e o menino é a aparente forma da esperança em sua vida. Alexander é um homem bom, para o filho explica que vivemos desconectados da natureza, nos comportamos mal com ela, e que os selvagens possuem mais espiritualidade que o homem civilizado, Enquanto o menino brinca como um animalzinho pacifico em torno dele, ele expõe tristemente onde o homem está localizado no tempo, ele expõe o Mal estar da Civilização.

O cinema de Andrei Tarkovski visa recuperar a sacralidade do homem, portanto ele se aproxima do mito e do ritual, do mágico e do olhar do menino, reconstrói maneiras do homem voltar a se conectar consigo mesmo, alerta sobre a emboscada das zonas de conforto, e seu herói vencerá o mundo, fará com que a visão espiritual influencie a realidade, e o suposto Sacrifício, será feito gloriosamente.

“A questão da vanguarda é peculiar ao século XX, à época em que a arte vem progressivamente perdendo sua espiritualidade. A situação é ainda pior nas artes visuais, que hoje estão quase inteiramente privadas de espiritualidade. A opinião corrente é a de que esta situação reflete a “desespiritualização” da sociedade moderna, um diagnóstico com o qual, a nível de simples constatação da tragédia, concordo plenamente: trata-se mesmo de um reflexo da atual situação”( O Esculpir do Tempo)  

” Qual é a essência do trabalho de um diretor? Poderíamos defini-la como “esculpir o tempo”. Assim como o escultor toma um bloco de mármore e, guiado pela visão interior de sua futura obra, elimina tudo o que não faz parte dela – do mesmo modo o cineasta, a partir de um “bloco de tempo” constituído por uma enorme e sólida quantidade de fatos vivos, corta e rejeita tudo aquilo de que não necessita, deixando apenas o que deverá ser um elemento do futuro filme, o que mostrará ser um componente essencial da imagem cinematográfica. (O Esculpir do Tempo Tarkovski)

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