/ ARTE

FILME STALKER

O que a maioria dos seres humanos anseiam como metas, propósitos e sonhos nessa vida terrena? Ou melhor, no contexto social, pós-moderno. Saúde, fama, dinheiro, poder ou sabedoria, talvez?

Direção: Andrei Tarkovski
Roteiro: Andrei Tarkovski, Arkady Strugatsky, Boris Strugatsky

No filme Stalker, o diretor Andrei Tarkovski explora questões humanas de uma maneira espantosamente poética, contrapondo o imaginário cenário com devaneios da realidade subjetiva das questões políticas, econômicas e sociais.

Um escritor e um cientista visitam uma cidade atingida por um meteorito. No local do incidente alguns acontecimentos são relatados como estranhos, atemporais, onde a ciência não consegue compreender mudanças da natureza e fenômenos inexplicáveis. O local denominado Zona é proibido e vigiado por militares, pois lá existe O Quarto, local onde os desejos mais íntimos são realizados. Para chegarem a este Quarto, contratam um Stalker, uma espécie de guia, que conhece bem o local com familiaridade.

O filme inicia-se na residência do Stalker. Ele dorme e sua casa apresenta condições precárias. Stalker tem uma filha mutante e debilitada que também dorme em sua cama.  Existe aqui um paradoxo, como alguém que tem acesso a tanto poder de realização material, não pede nada para si? Pelo contrário, Stalker paga um preço alto por ter acesso à Zona.  Até onde o ser humano é capaz de ir para realizar os seus desejos, carnais ou mentais? 

Tarkoviski tem o dom incomparável de manifestar arquétipos universais em seus filmes. No Stalker, a simbologia alquímica do fogo, água, túneis, ruínas, locais abandonados e cômodos sem paredes nos remetem à fugacidade da vida terrena. Entretanto ressalta-se a ausência da fé na  realidade espiritual: “O órgão da fé está atrofiado”, afirma Stalker.

Poema citado no filme:

Que se cumpra o idealizado.
Que acreditem.
Que riam das suas paixões.
Porque o que consideram paixão,
na realidade,
não é energia espiritual…
mas apenas fricção entre a alma e o mundo externo.
O mais importante é que acreditem neles próprios
e se tornem indefesos como crianças.
Porque a fraqueza é grande,
… enquanto a força é nada.

Quando o homem nasce,
é fraco e flexível.
Quando morre,
é impassível e duro.
Quando uma árvore cresce,
é tenra e flexível.
Quando se torna seca e dura,
ela morre.

A dureza e a força são atributos da morte.

Flexibilidade e fraqueza são a frescura do ser.

Por isso, quem endurece, nunca vencerá”

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