/ Bíblico

Cristo e a Páscoa

“Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios…

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida – a verdadeira –
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os anjos entreolham-se espantados
quando alguém – ao voltar a si da vida –
acaso lhes indaga que horas são…”
Ah! Os Relógios, Mário Quintana

O que você percebe quando a Páscoa se aproxima?

Acontecem mudanças ou tudo parece se repetir cada vez mais rápido?

Há pensamentos e sentimentos semelhantes ao Natal?

E por que o Natal e a Páscoa são celebrados próximos do solstício de verão e do equinócio de outono?

De acordo com os ensinamentos da Filosofia Rosacruz, a Páscoa está intimamente relacionada com um ciclo anual do raio de Cristo, o qual é responsável pela manutenção da vida na Terra. Neste sentido, no capítulo XIV do livro Ensinamentos de um Iniciado, Max Heindel nos esclarece:

 “Na presente estação, a mente do mundo civilizado volta-se para a festividade que chamamos Páscoa. Nela comemora-se a morte e ressurreição do Nobre Ser que o mundo conhece pelo nome de Jesus. Sua história e sua vida foram descritas nos Evangelhos. Mas, um Cristão Místico tem uma visão mais profunda e mais ampla desse evento cósmico que se repete anualmente. Ele reconhece o anual fluxo e refluxo da vida do Cristo Cósmico interpenetrando o corpo da Terra. Nosso Planeta então respira. A Terra inala esse influxo vital durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro, cuja culminância é alcançada no Solstício de Dezembro, quando celebramos o Natal. E a Terra exala durante os meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro até culminar a época da Páscoa. A inspiração, ou injeção de força vital, manifesta-se pela aparente inatividade dos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro. Segue-se a expiração da vida de Cristo, manifestada como força da ressurreição. Força que dá nova vida a tudo que vive e se movimenta sobre a Terra. Vida abundante. Não apenas para manter, mas para propagar e perpetuar.”

Mas por que na Páscoa existe o costume de celebrarmos com ovos, que traz a ideia de nascimento, se essa época marca a saída do raio de Cristo da Terra?

Embora não se refira a ovos de chocolate, sobre este aspecto, Max Heindel nos indica neste mesmo capítulo, que o ovo é um símbolo cósmico associado ao mistério da vida, o qual permeia as religiões e está presente em várias lendas e mitos antigos. Segundo ele:

“Quando quebramos a casca de um ovo, achamos apenas fluídos viscosos de coloração variada e consistência diversa. Mas, quando submetido a uma temperatura adequada, logo observamos uma série de mudanças. Assim, em pouco tempo, uma criatura viva pode romper a casca e surgir pronta para assumir seu lugar entre os de sua espécie. Os “magos” dos laboratórios po­dem sintetizar as substâncias do ovo e injetá-las numa casca. Uma réplica perfeita do ovo natural pode ser produzida, conforme as experiências realizadas até hoje. Contudo, o ovo artificial difere do ovo natural em um ponto fundamental: nenhuma coisa viva pode ser incubada no ovo obtido artificialmente. Fica evidente, portanto, que alguma coisa intangível deve estar presente em um e ausente noutro.

Esse mistério primordial que anima todas as criaturas é o que nós chamamos Vida. A Vida não pode ser detectada em meio às substâncias do ovo, nem mesmo através do mais potente microscópio, ainda que ela esteja ali presente para produzir as notáveis mudanças. Pode-se assim concluir que a Vida tem a propriedade de existir independentemente da matéria. Aprendemos através do sagrado simbolismo do ovo que, apesar da Vida ser capaz de modelar a matéria, não depende dela para existir. A Vida é auto existente. Não tendo princípio, também, ter fim. Essa ideia está bem representada pela geometria ovoide presente na própria forma do ovo.”

Para se aprofundar nestes estudos, sugerimos a consulta aos livros “Interpretação Mística da Páscoa” e os capítulos XIII e XIV do já citado “Ensinamentos de um Iniciado”.

QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ!

Posts recentes

Categorias

Arquivos

Design por: Maurilio Souza | Programado por: Loooping

X