Capítulo V
A SAGRADA GLÓRIA DE SHEKINAH
A Sala Oeste do Tabernáculo era tão escura como os céus o são quando a luz menor - a Lua - encontra-se na parte oeste do céu em oposição ao Sol, isto é, na Lua Nova, quando começa um novo ciclo num novo signo do zodíaco. Na parte mais ocidental deste escuro santuário ficava a Arca da Aliança com os Querubins pairando acima dela, e também a ardente Glória de Shekinah, da qual saía a Luz do Pai que comungava com Seus adoradores, mas que para a visão física era invisível, portanto, escura.
Geralmente, nós não realizamos que o mundo todo esteja envolvido pelo fogo. Há fogo na água, ele arde constantemente na planta, no animal e no homem. Sim, nada existe no mundo que não seja animado pelo fogo. A razão de não nos apercebermos disso é porque não podemos dissociar fogo de chama. Mas na realidade, o fogo guarda a mesma relação com a chama que o espírito com o corpo; é invisível, porém, é uma potente força em manifestação. Em outras palavras, o verdadeiro fogo é escuro e invisível à visão física. Só é revestido de chama quando consome matéria física. Considere, como ilustração, a forma como o fogo salta de um isqueiro quando este é acionado, e como a chama do gás tem o centro escuro debaixo do pavio aceso, e também como um fio pode conduzir eletricidade permanecendo frio, embora emita chamas sob certas condições.
Neste ponto, será interessante marcar a diferença entre o Tabernáculo no Deserto, o Templo de Salomão e, mais tarde, o Templo construído por Herodes. Há uma vital diferença. Ambos, o fogo miraculosamente aceso no Altar de Bronze na parte leste do Tabernáculo e a invisível Glória de Shekinah na distante parte oeste do Santuário, também estavam presentes no Templo de Salomão. Estes eram santuários que não podiam ser igualados ao Templo construído por Herodes. O último, sem sombra de dúvida, em certo sentido, era o mais glorioso dos três, porque foi agraciado com a presença corporal de nosso Senhor, Cristo Jesus, em Quem habitava a Divindade. Cristo fez o primeiro auto-sacrifício, abolindo assim o holocausto de animais. Finalmente, ao terminar Seu trabalho no mundo visível rasgou o véu e abriu o caminho do Sanctum Sanctorum, não somente a uns poucos favorecidos, os sacerdotes e Levitas, mas a TODO AQUELE QUE QUEIRA vir e servir a Divindade, conhecida como nosso Pai.
Tendo cumprido a Lei e as profecias, Cristo encerrou o sentido do santuário externo e, desde então, o Altar dos Sacrifícios deve ser erigido dentro do coração, onde queimará os males praticados. O Candelabro de Ouro deve ser aceso dentro do coração para guiar-nos no caminho, assim como o Cristo interno, a Glória de Shekinah do Pai, deve habitar dentro dos sagrados recintos de nossa própria consciência divina.
O Tabernáculo no Deserto
"A Sombra das Boas Coisas que Virão"
A Sombra da Cruz
Paulo, em sua Epístola aos Hebreus, dá-nos uma descrição do Tabernáculo e muita informação sobre os costumes que lá se usavam. Será bom para o estudante conhecê-los. Entre outras coisas, ele considerava o Tabernáculo, "a sombra das boas coisas que virão". Há no Antigo Templo de Mistérios uma promessa dada mas ainda não cumprida, porém tão boa hoje como o foi naquele tempo. Se visualizarmos em nossa mente a disposição dos objetos no interior do Tabernáculo, perceberemos nitidamente a sombra da Cruz. Começando pelo portão oriental, havia o Altar dos Sacrifícios; um pouco além, em direção ao Tabernáculo, encontramos o Lavabo da Consagração, o Mar Fundido, no qual os sacerdotes se lavavam. Logo depois de entrarmos na Câmara Oriental do Templo, encontramos no extremo esquerdo, uma peça do mobiliário, o Candelabro de Ouro; e no extremo direito, a Mesa dos Pães da Proposição, os dois formando uma cruz no caminho que estamos seguindo ao longo e dentro do Tabernáculo. No centro, em frente ao segundo véu, encontramos o Altar do Incenso que forma o centro da cruz, enquanto que a Arca colocada na parte mais ocidental da Câmara Ocidental, o Sanctum Sanctorum, representa a parte superior e a mais curta da cruz. Deste modo, o símbolo do desenvolvimento espiritual, que é o nosso mais elevado ideal nos dias de hoje, já estava delineado no Antigo Templo de Mistérios. A consumação que é alcançada no topo da cruz, a realização de possuir a lei dentro de nós, tal como se encontrava dentro da Arca, deve ser o nosso objetivo atualmente. A luz que brilha sobre o Propiciatório no Sanctum Sanctorum, na cabeça da cruz, no fim do caminho deste mundo, é a luz ou reflexo do mundo invisível no qual o aspirante busca entrar quando tudo ao seu redor parece obscuro e negro Somente quando tivermos atingido esse estado e percebermos a luz espiritual acenando para nós - a luz que paira sobre a Arca - somente quando permanecermos à sombra da cruz, é que realmente poderemos conhecer o significado, o propósito e a finalidade da vida.
Presentemente, podemos aproveitar as oportunidades que nos são oferecidas e prestar serviço com maior ou menor eficiência. Porém, somente quando, por meio deste serviço, desenvolvermos a luz espiritual dentro de nós - o corpo-alma - e assim tivermos obtido acesso à Câmara Ocidental, chamada o Vestíbulo da Libertação, é que perceberemos e compreenderemos realmente por que estamos no mundo e o que necessitamos fazer para nos tornarmos propriamente úteis. Não devemos pensar que depois de termos entrado nesse Vestíbulo, aí permaneceremos. Ao Sumo Sacerdote era permitido entrar nele somente uma vez por ano, havendo um longo intervalo de tempo entre esses lampejos do real propósito da existência. Nesse intervalo, o Sumo Sacerdote precisava sair e viver entre seus irmãos - a humanidade -servindo-os da melhor maneira possível. E porque ainda não era perfeito, pecava, para de novo entrar no Sanctum Sanctorum após ter feito as reparações devidas pelos seus pecados.
Atualmente sucede o mesmo conosco. Por vezes, obtemos vislumbres das coisas que nos estão reservadas, das coisas que devemos fazer para seguirmos Cristo ao lugar para onde Ele foi. Lembremos que Ele disse aos Seus discípulos: "Não podeis seguir-Me agora, mas seguir-Me-eis depois". O mesmo sucede conosco. Devemos olhar repetidamente dentro deste templo escuro, o Sanctum Sanctorum, antes de estarmos capacitados para permanecer lá; antes que estejamos realmente preparados para dar o último passo e subir até o alto da cruz, o lugar da caveira, aquele ponto em nossa cabeça por onde o espírito sai quando deixa o corpo, seja permanentemente ou como um Auxiliar Invisível. Este Gólgota é a derradeira e suprema realização humana. Devemos estar preparados para entrar muitas vezes na Câmara escura, antes que estejamos prontos para esse clímax final.
A Lua Cheia como um fator de crescimento anímico
Consideremos agora o Caminho da Iniciação, tanto como nos é mostrado simbolicamente nos antigos Templos com a Arca, o Fogo e o Shekinah, como nos últimos Templos onde Cristo ensinou. Observemos que quando O homem foi expulso do Jardim do éden por haver comido da Árvore do Conhecimento, um Querubim guardava a entrada com uma espada flamejante. Passagens da Bíblia como: "Adão conheceu Eva e ela concebeu Abel"; "Adão conheceu Eva e ela concebeu Seth"; "Elkanah conheceu Hannah e ela concebeu Samuel"; também a pergunta de Maria ao Anjo Gabriel; - "Como posso conceber se não conheço varão?" tudo mostra plenamente que a indulgência da paixão no ato criador estava implícito na frase: "Comer da Árvore do Conhecimento". Quando esse ato era realizado sob a influência de desfavoráveis raios planetários, cometia-se um pecado contra as Leis da Natureza, o que trouxe dor e morte ao mundo, exilou-nos de nossos primitivos guardiães, e obrigou-nos a vaguear pelo deserto durante séculos.
Na porta do Templo Místico de Salomão, encontramos o Querubim, porém não segura mais em suas mãos a espada flamejante; em lugar dela, segura uma flor, um símbolo pleno de significado místico. Comparemos o homem com a flor e perceberemos, então, a grande importância e significado desse emblema. O homem toma o seu alimento pela boca, de onde desce. A planta recebe alimento pelas raízes, forçando-o para cima. O homem reveste seu amor de paixão e tem os órgãos da geração voltados para a terra, escondendo-os com vergonha devido a essa mácula de sua paixão. A planta desconhece a paixão, e realiza a fecundação da maneira mais pura e casta, isto é, ela projeta seus órgãos geradores, a flor, para o Sol, um espetáculo de rara beleza. O homem, decaído e passional, exala o mortífero dióxido de carbono, enquanto a casta flor inala esse veneno, transmuta-o e o devolve puro, doce e perfumado, um fragrante elixir da vida.
Este era o mistério do Cálice do Graal; este é o significado simbólico do Cálice da Comunhão, que é chamado "Kelch" em alemão e "Calix" em latim, significando a parte do receptáculo da flor. O Cálice da Comunhão, com seu sangue místico limpo da paixão incidental da geração, traz vida eterna a quem verdadeiramente dele bebe. Torna-se assim o veículo de regeneração, do nascimento místico em esfera mais elevada, um "país estrangeiro", no qual aquele que obteve o seu aprendizado na construção do Templo e dominou as "artes e ofícios" deste mundo, possa estar apto a aprender coisas mais elevadas.
O símbolo do Querubim, com uma flor aberta à porta do Templo de Salomão, transmite ao aspirante a mensagem de que a pureza é a chave com a qual ele pode esperar abrir a porta para Deus, ou como Cristo expressou: "Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus". A carne deve ser consumida no Altar do auto-sacrifício, e a alma deve ser lavada no Lavabo da Consagração para uma vida superior antes de poder aproximar-se da porta do Templo. Quando "pobre, "nu" e "cego" pelas lágrimas da contrição, tatear na obscuridade em busca da porta do Templo, encontrará o Vestíbulo do Serviço, a Câmara Oriental do Tabernáculo, iluminado pelas chamas do Candelabro de Sete Braços, símbolo da plena luminosidade da Lua Cheia, lua que se modifica em ciclos de sete dias. Neste Vestíbulo do Serviço ensina-se o aspirante a tecer o "Dourado Manto Nupcial", ao qual Paulo chamou de "soma psuchicon" ou corpo-alma (Cor. I, 15:44) do aroma dos Pães da Proposição.
Quando falamos de corpo-alma, queremos dizer exatamente isso, e esse veículo não deve ser confundido com a alma que interpenetra o corpo. O Auxiliar Invisível que o utiliza nos vôos da alma, reconhece-o tão real e tangível quanto o corpo denso de carne e sangue. Porém, dentro desse "Dourado Manto Nupcial" há algo intangível conhecido pelo espírito de introspeção. ir inenarrável e indescritível; escapa aos maiores esforços dos que querem sondá-lo; contudo está lá, tão certamente quanto o veículo que ele ocupa - e ainda vai além dele. Não o identificamos como vida, amor, beleza, sabedoria ou qualquer outro conceito conhecido do homem, mas consideramo-lo como a soma de todas as faculdades humanas, atributos e conceitos do bem numa intensidade imensurável. Se tudo o que possuímos nos fosse tirado, essa realidade primordial ainda permaneceria e seríamos ricos com a sua posse, pois através dela sentimos a Força Poderosa do nosso Pai Celestial, aquele impulso interno que todos os aspirantes tão bem conhecem.
Referindo-se a esse desejo interno, Cristo disse: "Nenhum homem virá a Mim, se não for pela vontade do Meu Pai". Tanto quanto o verdadeiro fogo está oculto na chama que o encerra, assim também esse aspecto intangível e indescritível esconde-se no corpo-alma e queima o incenso extraído dos Pães da Proposição. Desta maneira, acende o fogo que faz com que o corpo-alma se torne luminoso. E o aroma do serviço amoroso e desinteressado prestado aos outros atravessa o véu como um doce perfume enviado a Deus, que habita na Glória de Shekinah, pairando acima da Arca no íntimo santuário, o Sanctum-Sanctorum.
Capítulo VI
A LUA NOVA E A INICIAÇÃO
QUANDO o candidato penetrava no portão oriental do Templo buscando luz, deparava-se com o fogo do Altar dos Sacrifícios, que emitia uma luz fraca envolvida numa nuvem de fumaça. Encontrava-se na condição de escuridão espiritual do homem comum; trazia encerrada a luz interna, portanto, era necessário dar-lhe a luz externa. Mas, para poder entrar na escura Câmara Ocidental, já devia ter desenvolvido o luminoso corpo-alma pelos serviços prestados à humanidade. Então, era instruído a ter a luz dentro de si próprio, "a luz que ilumina todo homem". Se não possuisse essa luz, não teria acesso à sala escura do Templo.
O que acontece secretamente no Templo é mostrado claramente nos céus. Assim como a Lua recolhe a luz solar em sua passagem da Nova à Cheia, assim também o homem que trilha a senda da santidade pelo uso das valiosas oportunidades na Sala Leste, prestando serviço amoroso e desinteressado, reúne o material com o qual construirá o luminoso "Manto Nupcial", que é melhor amalgamado nas noites de Lua Cheia. Mas, inversamente, como a Lua vai perdendo a luz à medida que se aproxima do Sol para começar um novo ciclo com a fase da Lua Nova, assim também, de acordo com a Lei de Analogia, os que juntaram seus tesouros e os depositaram no céu por suas boas ações, estão, num certo tempo do mês, mais próximos de sua Fonte nas esferas superiores e de seu Criador, o Fogo-Pai, que em qualquer outra ocasião. Assim como os grandes salvadores da humanidade nascem no solstício de inverno na mais longa e escura noite do ano, assim também o processo da Iniciação traz ao nascimento no mundo invisível um dos salvadores menores, o Auxiliar Invisível, na mais longa e mais escura noite de cada mês, isto é na noite de Lua Nova, quando a órbita lunar está na parte mais ocidental do céu.
Todo desenvolvimento oculto começa com o corpo vital, e a palavra-chave desse veículo é "repetição". Para atingirmos melhor os nossos objetivos, a repetição é necessária, pois ela conduz ao entendimento da consumação final, o ponto convergente de toda esta caminhada. Vamos examinar de outro ângulo as três espécies de fogo do interior do Templo.
Perto do portão oriental ficava o Altar dos Sacrifícios. Naquele Altar, a fumaça era continuamente gerada pela queima dos corpos sacrificados, e a coluna de fumo era vista à longa distância e amplamente pela multidão não instruída nos mistérios internos da vida. A chama, a luz escondida nessa nuvem de fumaça, era fracamente percebida por alguns. Isto prova que a grande maioria da humanidade aprende principalmente pelas leis imutáveis da natureza, que exigem certos sacrifícios, quer perceba isso ou não. Do mesmo modo que a chama da purificação era alimentada pelos corpos mais inferiores e grosseiros dos animais sacrificados, como exigia a lei de Moisés, assim também hoje, as massas mais baixas e passionais que compõem a humanidade, estão sendo dominadas muito mais pelo medo da punição que lhes advirá através das leis do mundo, do que pelo temor do que lhes possa acontecer no mundo vindouro.
Uma luz de natureza diferente brilhava na Sala Leste do Tabernáculo. Em lugar de extrair sua nutrição da carne, saturada de paixão e pecado dos animais sacrificados, era alimentada com o azeite de oliva extraído do casto reino vegetal. Sua chama não era coberta pela fumaça, mas era clara e distinta para que pudesse iluminar o recinto e guiar os sacerdotes, que eram, em seus ofícios, os servos do Templo. Os sacerdotes eram guiados a trabalhar em harmonia com o plano divino, por isso, percebiam a luz mais claramente do que a multidão despreocupada e ignorante. Também hoje, a luz mística brilha para todos aqueles que se esforçam em realmente servir no altar do auto-sacrifício, particularmente para os aspirantes que se filiaram a uma Escola de Mistérios como a da Ordem Rosacruz. Estão caminhando na luz, invisível à multidão,` mas, se realmente estiverem servindo, receberão a verdadeira ajuda dos Irmãos Maiores da humanidade, que estão sempre prontos a auxiliar nos momentos difíceis que surgem pelo Caminho.
Entretanto, o fogo mais sagrado de todos era o da Glória de Shekinah, na Sala Oeste do Tabernáculo, acima do Propiciatório. Como esta Sala Oeste era escura, entendemos que ali estava um fogo invisível, uma luz procedente de um outro mundo.
Observemos que o fogo que estava oculto na fumaça e na chama do Altar dos Sacrifícios, consumindo os corpos sacrificados em expiação pelos pecados cometidos sob a lei, era o símbolo de Jeová, o dador da Lei. E sabemos que a Lei foi formulada para conduzir-nos a Cristo. A luz clara e bela que brilhava no Vestíbulo do Serviço, a Sala Leste do Tabernáculo, é a cor dourada da luz de Cristo, que guia aqueles que se esforçam por seguir seus passos no caminho do serviço altruísta.
Assim como Cristo disse: "Eu vou ao Meu Pai", quando estava para ser crucificado, assim também o Servo da Cruz, que aproveitou ao máximo suas oportunidades no mundo visível, tem permissão para entrar na glória do seu Fogo-Pai, a invisível Glória de Shekinah. Então, ele deixa de ver através do cristal opaco do corpo e contempla seu Pai, face a face, nos planos invisíveis da natureza.
A torre da igreja é larga na base, mas, aos poucos, vai-se estreitando até o cume, onde é um ponto suportando a cruz. O mesmo acontece com o caminho da santidade. No princípio podemos permitir-nos muitas coisas, mas, à medida que avançamos, devemos abandonar, um por um, esses desvios e devotar-nos, cada vez mais exclusivamente, ao serviço da santidade. Por fim, chegará um momento em que este caminho é tão fino como o fio de uma navalha, e aí só poderemos agarrar-nos à cruz. Porém, quando tivermos atingido esse ponto, quando pudermos subir ao mais estreito de todos os caminhos, realmente estaremos preparados para seguir o Cristo além, e servir lá como servimos aqui.
Esse antigo símbolo representa as provas e o triunfo do fiel servo. Ainda que outros símbolos de maior grandeza, de ideal mais sublime contendo maiores promessas o tenham superado, o princípio básico encerrado na sua simbologia é tão válido hoje como sempre o foi e será.
No Altar dos Sacrifícios vemos claramente a repelente e inferior natureza do pecado e a necessidade de expiação e justificação.
O Mar Fundido ensina-nos que devemos viver uma vida pura, de santidade e consagração.
Da Sala Leste aprendemos hoje como fazer uso apropriado das oportunidades para cultivar o grão dourado do serviço desinteressado, e preparar o "pão da vida" que alimenta a alma - o Cristo Interno.
E quando tivermos subido os degraus da Justificação, Consagração e Abnegação Própria, alcançaremos a Sala Oeste, o umbral da Libertação. Dali seremos conduzidos aos reinos mais elevados, onde um maior crescimento anímico ocorrerá.
Embora esse antigo Templo não se encontre mais no lugar onde as antigas hostes errantes levantaram seus acampamentos no longínquo passado, pode ser um fator muito mais poderoso para o crescimento da alma do aspirante atual do que o foi para os antigos israelitas, contanto que ele o construa de acordo com o modelo indicado. Nem há necessidade de haver ouro nele, o que despertaria a cobiça de alguns, pois o verdadeiro Tabernáculo deve ser construído no céu e "o céu está dentro de nós". Para construir bem e verdadeiramente, de acordo com as regras do antigo ofício da Maçonaria Mística, o aspirante deve aprender primeiramente a construir dentro de si, o Altar dos Sacrifícios. Em seguida, deverá orar e vigiar enquanto espera pacientemente que o fogo divino consuma a sua oferenda. Então, deverá banhar-se com as lágrimas do arrependimento até que tenha eliminado totalmente as manchas do pecado. Ao mesmo tempo, deve conservar acesa a lâmpada da divina orientação, sempre suprida para que possa discernir como, quando e onde servir. Ele deve trabalhar duramente para ter abundância de "Pães da Proposição", e o incenso da aspiração e prece deve estar sempre no seu coração, assim como em seus lábios. Então, o Yom Kippur, o Grande Dia da Expiação, certamente o encontrará preparado para ir ao encontro de seu Pai, e aí aprender como ajudar melhor seus irmãos mais jovens no Caminho da ascensão.
Parte II - A INICIAÇÃO MÍSTICA CRISTÃ