Capítulo III

SALA LESTE DO TEMPLO

DEPOIS de ter subido os primeiros degraus do caminho, o aspirante encontra-se em frente ao véu que pende diante do templo místico. Aproximando-se desse lado, ele entra na Sala Leste do Santuário, chamado Lugar Santo. Não havia janelas ou quaisquer aberturas no Tabernáculo para deixar penetrar a luz do dia, mas esta sala nunca estava escura. Noite e dia era brilhantemente iluminada por lamparinas.

Seu mobiliário era o símbolo do método pelo qual o aspirante podia adquirir o crescimento da alma pelo serviço. Consistia de três peças principais: o Altar do Incenso, a Mesa dos Pães da Proposição e o Candelabro de Ouro, do qual procediam as luzes.

Não era permitido ao israelita comum entrar nesse lugar sagrado e nem contemplar os objetos. Ninguém, a não ser o sacerdote, podia passar pelo véu externo e entrar nessa primeira sala. O Candelabro de Ouro estava colocado na parte sul do Lugar Santo, de modo que se encontrava do lado esquerdo da pessoa que estivesse no meio da sala. Era inteiramente de ouro puro e constituído de um braço ou coluna central que se elevava desde a base, da qual saíam seis braços. Esses braços começavam em três pontos diferentes da haste e arqueavam-se em três semicírculos de diâmetros diferentes, simbolizando os três períodos anteriores de desenvolvimento (Períodos de Saturno, Solar e Lunar) pelos quais o homem passou antes do Período Terrestre, que estava, então, a menos da metade. Este último período era representado pela sétima luminária. Cada um dos sete braços terminava numa lâmpada suprida com o mais puro azeite de oliva, elaborado por um processo especial. Ao sacerdote era exigido não permitir que nenhuma luz se apagasse no Candelabro. Todos os dias as lamparinas eram examinadas, limpas e abastecidas com azeite, e assim podiam manter-se acesas perpetuamente.

A Mesa dos Pães da Proposição estava colocada ao lado norte da sala, a fim de estar à mão direita do sacerdote quando este se dirigisse ao segundo véu. Doze pães sem fermento eram continuamente mantidos sobre a mesa. Eram colocados em duas pilhas, um pão sobre o outro, e em cima de cada pilha havia, uma pequena quantidade de incenso. Esses pães eram chamados os Pães da Proposição ou pão da face, porque eram colocados solenemente naquela mesa diante do Senhor que habita na Glória de Shekinah, atrás do segundo véu. Todos os sábados, os pães eram substituídos pelo sacerdote, sendo os velhos retirados e os novos colocados no mesmo lugar. Os pães retirados eram comidos pelos sacerdotes e ninguém mais tinha permissão de prová-los. Também não era permitido comê-los em qualquer lugar fora do Santuário porque era considerado o mais sagrado de todos os alimentos, e unicamente podia ser consumido pelas pessoas consagradas e em terreno santo. O incenso que ficava sobre as duas pilhas dos pães era queimado na troca dos mesmos como uma oferta de fogo ao Senhor, como um memorial em lugar do pão.

O Altar do Incenso ou Altar de Ouro, era o terceiro objeto do mobiliário da Sala Leste do Templo. Ficava no centro da sala, isto é, a meio caminho entre as paredes norte e sul, em frente ao segundo véu. Nenhuma carne era queimada nesse altar e nenhum sangue jamais fora derramado sobre ele, exceto em ocasiões muito solenes, e apenas os seus vasos eram marcados com a mancha vermelha. A fumaça que deles se elevava desprendia-se do incenso. Isso acontecia todas as manhãs e todas as noites, preenchendo o Santuário com uma nuvem de fragrância agradável que impregnava todo o ambiente interior e que se estendia por algumas milhas ao redor. Por ser queimado todos os dias foi chamado: "um perpétuo incenso diante do Senhor".

Não era simplesmente um incenso comum queimado, mas um composto deste com outras espécies doces, elaborado sob a direção de Jeová para este fim especial e por isso considerado santo, de modo que a nenhum homem fosse possível manipular essa composição para uso comum. O sacerdote era encarregado de zelar para que nenhum incenso estranho fosse oferecido no Altar de Ouro, isto é, nenhum outro que não tivesse a composição sagrada. Esse Altar estava colocado diretamente diante do véu, do lado de fora, mas antes do Propiciatório, que estava dentro da sala do segundo véu. Por isso, quem ministrasse no Altar do Incenso não podia ver o Propiciatório por causa do véu interposto; mas devia olhar nessa direção e direcionar-lhe o incenso. Era costume, quando a nuvem fragrante do incenso se erguia por cima do templo, que todas as pessoas que estivessem no Átrio do Santuário enviassem, pessoal e silentemente, suas preces a Deus.

O MÍSTICO SIGNIFICADO DA SALA LESTE E SEU MOBILIÁRIO

O Candelabro de ouro

Como se afirmou anteriormente, quando o sacerdote permanecia no centro da Sala Leste do Tabernáculo, o Candelabro de Sete Braços ficava ao seu lado esquerdo, em direção ao sul. Isto simbolizava o fato de que os sete dadores de luz ou planetas que trilham a dança do círculo místico ao redor da órbita central, o Sol, percorrem a estreita faixa abrangendo oito graus em cada lado da trajetória do Sol, que é chamada zodíaco. "Deus é Luz" e os "Sete Espíritos diante do Trono" são chamados os ministros de Deus. São os mensageiros da luz para a humanidade. Eles nos guiaram no caminho evolutivo. Assim como os céus ficam iluminados quando a Lua em suas fases chega à "plenitude" na parte leste dos céus, também a Sala Leste do Tabernáculo ficava plena de LUZ, indicando visivelmente a presença de Deus e seus Sete Ministros, os Anjos Estelares.

Podemos notar a luz do Candelabro de Ouro, que era clara e sua chama não possuia odor, e compará-la com a fumaça do Altar dos Sacrifícios que, de certo modo, gerava trevas em vez de dissipá-las. Mas, há ainda um significado mais profundo e sublime neste símbolo do fogo, que só abordaremos quando falarmos da Glória de Shekinah, cujo brilho deslumbrante pairava acima do Propiciatório, na Sala Ocidental. Antes que possamos decifrar esse tema, devemos entender todos os símbolos que estão entre o Candelabro de Ouro e o Sublime Fogo do Pai, que era a coroação da glória do Sanctum Sanctorum, a parte mais sagrada do Tabernáculo no Deserto.

Sala Leste - O LUGAR SANTO e a Sala Oeste - O SANCTUM SANCTORUM

 

A Mesa dos Pães da Proposição

A Sala Leste do Templo pode ser chamada de Vestíbulo do Serviço, pois corresponde aos três anos do ministério de Cristo e contém toda a parafernália para o desenvolvimento da alma. Como já dissemos, só possuía três peças principais. Entre elas, encontramos a Mesa dos Pães da Proposição. Sobre essa mesa, como já sabemos, havia duas pilhas de pães, cada uma com seis pães, e sobre cada pilha havia uma pequena quantidade de incenso. O aspirante que chegasse à porta do Templo, "pobre, nu e cego', era conduzido à luz do Candelabro de Sete Braços, obtendo um certo grau de conhecimento cósmico que devia utilizá-lo unicamente em favor de seus semelhantes. A Mesa dos Pães da Proposição representa tudo isso em símbolos.

Os grãos dos quais eram feitos os pães foram originalmente dados por Deus, depois plantados pelo homem após ter sido arado e preparado o solo. Quando semeados, era necessário cultivá-los e regá-los. Então, brotava o fruto de acordo com a natureza do solo e do cuidado recebido. Era posteriormente colhido, debulhado, moído e assado. Depois, os antigos servos de Deus tinham de carregá-lo para dentro do Templo, onde era colocado ante a presença do Senhor como pão, para "demonstrar" que os homens fizeram a sua tarefa e terminaram o serviço necessário.

Os grãos de trigo ofertados por Deus e contidos nos doze pães representam as oportunidades para o crescimento da alma através dos doze departamentos da vida, representados pelas doze casas do horóscopo sob o domínio das doze Hierarquias Divinas, conhecidas como os signos do Zodíaco. Mas é tarefa do Maçom Místico, o verdadeiro construtor do Templo, abraçar estas oportunidades, cultivá-las e nutri-Ias para extrair delas o PATO DA VIDA que alimenta a alma.

Contudo, nós mesmos não assimilamos nossos alimentos físicos em sua totalidade, pois fica um resíduo, uma grande porção de cinzas após termos amalgamado a quintessência em nosso sistema. De modo semelhante, os Pães da Proposição não eram queimados ou consumidos perante o Senhor. Eram colocados dois montículos de incenso sobre as duas pilhas de pães, um em cada monte. Isto foi concebido para que seu aroma fosse percebido e mais tarde os pães fossem consumidos pelo fogo no Altar do Incenso. Dessa maneira, a nutrição da alma, realizada pelo serviço diário prestado pelo Maçom Místico, é lançada no moinho da retrospecção quando ele se retira para dormir e pratica o exercício científico ensinado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.

Há um dia em cada mês que é particularmente propício para extrair o puro incenso do crescimento da alma e queimá-lo perante o Senhor, de modo que possa exalar um suave aroma e ser amalgamado com o corpo-alma para formar parte do "Dourado Manto Nupcial". Isto se realiza quando a Lua chega ao plenilúnio. Então, a Lua está a leste e os céus estão inundados de luz, como estava a Sala Leste no antigo Templo de Mistérios Atlante, onde o sacerdote fortalecia o pábulo da alma, simbolizado pelo Pão da Proposição e por sua fragrante essência, que deleitava nosso Pai Celestial tanto quanto agora.

Contudo, deixemos que o Maçom Místico considere que os pães ázimos não eram fantasia de sonhadores, nem produto de especulação sobre a natureza de Deus ou da luz. Eram resultado de um trabalho real, de um trabalho sistemático e disciplinado, que nos impele a seguir o caminho do verdadeiro serviço se desejarmos acumular tesouros no céu. A menos que trabalhemos e sirvamos a humanidade, nada teremos a apresentar, nenhum pão para oferecer nos banquetes da Lua Cheia. E no casamento místico do Eu Superior com o Eu Inferior, encontrar-nos-emos desprovidos do radiante corpo-alma dourado, o "Dourado Manto Nupcial", sem o qual o enlace com Cristo jamais poderá ser consumado.

O Altar do Incenso

No Altar do Incenso, como vimos pelas descrições anteriores do Tabernáculo e seu mobiliário, o incenso era continuamente oferecido ao Senhor. E o sacerdote que oficiava diante do Altar, olhava sempre em direção ao Propiciatório, acima da Arca, embora lhe fosse impossível vê-Ia por causa do segundo véu interposto entre o primeiro e o segundo departamento do Tabernáculo, o Lugar Santo e o Sanctum-Sanctorum. Também vimos, em relação aos Pães da Proposição, que o incenso simboliza o extrato, o aroma do serviço que prestamos de acordo com nossas oportunidades. Assim como o animal sacrificado no Altar de Bronze representa os. males cometidos durante o dia, assim também o incenso queimado no Altar de Ouro, que é um doce aroma para o Senhor, representa as ações virtuosas de nossas vidas.

Capítulo IV

A ARCA DA ALIANÇA

É digno de nota e de grande significado místico que o aroma do serviço voluntário seja representado pela doce fragrância do incenso, enquanto o odor do pecado, do egoísmo e das transgressões da lei, representados pelo sacrifício compulsório no Altas do Serviço, é nauseante. Não é necessário grande imaginação para entender que as nuvens de fumaça que subiam continuamente das carcaças queimadas dos animais sacrificados, exalavam um cheiro enjoativo que causava repugnância. Por antítese, o incenso perpetuamente oferecido no Altar diante do segundo véu, mostrava a beleza e sublimidade do serviço desinteressado, exortando assim o Maçom Místico, como um filho da luz, a evitar um e a aderir ao outro.

Entendemos também que o serviço não consiste apenas em realizar grandes feitos. Alguns heróis eram obscuros e comuns em suas vidas, e surgiram para a fama em decorrência de, alguma ação notável num grande e memorável dia. Os mártires foram inseridos no calendário dos santos porque morreram por uma causa. Mas o maior heroísmo, o grande martírio é, às vezes, fazer as pequenas coisas que ninguém nota, e sacrificar-se no simples serviço aos outros.

Já sabemos que os véus na entrada do pátio exterior e em frente à Sala Leste do Tabernáculo eram confeccionados em quatro cores - azul, vermelho, púrpura e branco. Mas o segundo véu, que dividia a Sala Leste do Tabernáculo da Sala Oeste, era diferente dos outros dois. Era bordado com figuras de Querubins. Não consideraremos o significado desse fato até que vejamos o que representa a Lua Nova e a Iniciação. Observemos agora o segundo compartimento do Tabernáculo, a Sala Oeste, chamada o Santo dos Santos ou Sanctum Sanctorum. Atrás do segundo véu, dentro desta segunda divisão, nenhum mortal poderia passar a não ser o Sumo-Sacerdote e, mesmo assim, somente numa ocasião do ano chamado Yom Kippur, o Dia da Expiação, após a mais solene preparação e com a maior reverência e devoção. O mais Santo de Todos era revestido com uma solenidade de outro mundo; era revestido de uma grandeza sobrenatural. O Tabernáculo inteiro era o santuário de Deus, mas, neste lugar, sentia-se o imponente poder de Sua presença, a morada excepcional da Glória de Shekinah, e qualquer mortal tremeria dentro deste recinto sagrado, como devia acontecer ao Sumo-Sacerdote no dia da Expiação.

No mais ocidental extremo deste recinto, o extremo oeste do Tabernáculo, encontrava-se a "ARCA DA ALIANÇA". Era um receptáculo côncavo que continha: o Pote de Ouro do Maná; A Vara de Arão que floresceu e as Tábuas da Lei que foram dadas a Moisés. Enquanto essa Arca da Aliança permanecia no Tabernáculo no Deserto, havia duas estacas colocadas entre as quatro argolas da Arca para que pudesse ser erguida e transportada imediatamente.

Mas, quando a Arca chegou ao Templo de Salomão, as estacas foram retiradas. Isso tem um significado simbólico muito importante. Sobre a Arca inclinavam-se ajoelhados dois Querubins, e entre eles permanecia a sempre eterna Glória de Deus. "Aqui", disse Deus a Moisés, "Eu te encontrarei e me comunicarei contigo de cima do Propiciatório por entre os dois Querubins que estão sobre a Arca do Testemunho".

A Glória do Senhor vista sobre o Propiciatório tinha a aparência de uma nuvem. O Senhor disse a Moisés: "Dize a Arão, teu irmão, que nunca entre no santuário que está para dentro do véu diante do Propiciatório que cobre a arca, para que não morra, porque Eu aparecerei na nuvem sobre o Propiciatório" - (Levítico 16-2). Esta manifestação da divina presença foi chamada entre os judeus de "A Glória de Shekinah". Sua aparência, sem dúvida, era de uma maravilhosa glória espiritual, à qual é impossível descrever em palavras. Fora da nuvem, a Voz de Deus era ouvida com profunda solenidade quando Ele era consultado em favor do povo.

Quando o aspirante se qualificava para entrar nesse recinto atrás do segundo véu, encontrava tudo escuro à visão física, e era necessário que ele tivesse outra luz, a interior. Quando veio pela primeira vez à porta da Sala Leste do Templo, estava "pobre, nu e cego", pedindo LUZ. Apresentaram-lhe o pequenino lume que aparecia na fumaça do Altar dos Sacrifícios, e foi advertido que, para adiantar-se, deveria iluminar-se a si próprio com a chama do remorso pelas faltas cometidas. Mais tarde, foi-lhe mostrada a luz resplandecente na Sala Leste do Tabernáculo, que procedia do Candelabro de Sete Braços. Em outras palavras, foi-lhe dada a luz da Sabedoria, razão pela qual tem permissão para avançar no caminho. Também lhe pedem que, pelo serviço, ele desenvolva outra luz dentro e ao redor de si, o "Dourado Manto Nupcial", que é também a Luz de Cristo do corpo-alma. Por uma vida de serviço, essa gloriosa substância-alma envolve e amplia gradualmente toda a sua aura tornando-a uma radiosa luz dourada. Só depois de ter desenvolvido essa iluminação interna, é que poderá adentrar ao escuro recinto do segundo Tabernáculo, como o Mais Santo dos Lugares muitas vezes é denominado.

"Deus é Luz; se caminharmos na Luz como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros". Isto parece unicamente indicar a fraternidade dos Santos, mas aplica-se também à fraternidade que temos com Deus. Quando o discípulo penetra no segundo Tabernáculo, a LUZ dentro dele vibra com a LUZ da Glória de Shekinah que está entre os Querubins, e então ele compreende a fraternidade com o Fogo do Pai.

Assim como os Querubins e o Fogo do Pai, que flutua acima da Arca, representam as Hierarquias Divinas que guiaram a humanidade durante sua peregrinação pelo deserto, assim também a Arca que se encontra ali, representa o homem no seu mais elevado desenvolvimento. Havia, como já sabemos, três objetos dentro da Arca: o Pote Dourado do Maná, a Vara que floresceu e as Tábuas da Lei. Quando o aspirante chegava ao portão leste como um filho do pecado, a lei estava fora dele, precisava de um mestre para trazê-lo ao Cristo. A lei era executada com extrema severidade, isto é, olho por olho, dente por dente. Cada transgressão resultava num castigo justo, e o homem encontrava-se circunscrito em todas as direções por leis que lhe ordenavam que fizesse as coisas certas e refreasse as más ações. Porém, quando através do sacrifício e do serviço, ele tiver finalmente atingido o estágio de evolução representado pela Arca na Sala Oeste do Tabernáculo, as Tábuas da Lei estarão DENTRO DELE. Estará, então, emancipado de toda interferência externa referente às suas ações, não porque cumpra rigorosamente as leis, mas porque trabalha com elas. Do mesmo modo como aprendemos a respeitar o direito de propriedade dos outros emancipando-nos do Mandamento: "não roubarás", também aquele que respeita conscientemente as leis não tem necessidade de um mestre externo, pois alegremente presta obediência em todas as coisas porque ele é um servo da Lei e trabalha com ela, por escolha e não por coação.

O Pote Dourado do Maná

Manas, mensch, mens ou man (homem) são palavras associadas com maná, o maná que caía dos céus. É o espírito humano que desceu do Pai para peregrinar através da matéria, e o Pote Dourado onde era guardado simboliza a aura dourada do corpo-alma.

Apesar da narrativa bíblica *não estar rigorosamente de acordo com os acontecimentos, contém os fatos principais do maná místico que caiu do céu. Quando desejamos saber qual a natureza desse chamado pão, devemos recorrer ao sexto capítulo do Evangelho de São João, que relata como Cristo alimentou a multidão com pães e peixes, simbolizando a doutrina mística dos 2000 anos que Ele estava iniciando, pois nessa época o Sol, por precessão dos equinócios, começava a transitar pelo signo de Peixes, Pisces, e o povo foi ensinado a abster-se, pelo menos um dia na semana (sexta-feira) e também em certa época do ano, das panelas de carne que pertenciam aos egípcios ou antigos atlantes. Eles colocavam a água de Pisces na porta dos templos, e a Hóstia Virginal na Mesa da Comunhão diante do Altar quando veneravam a Imaculada Virgem, que representa o signo celestial de Virgo (que está em oposição ao signo de Pisces), e assim entravam em comunhão com o sol gerado por ela.

Cristo também explicou, em linguagem mística mas clara, que o pão vivo ou maná, na verdade era o Ego. Essa explicação é encontrada no Capítulo 6, versículos 33 e 35, onde lemos: "Pois o pão do Senhor é o que desceu do céu e trará Luz para o mundo... Eu sou (Ego Sum) o pão da vida". Este é o símbolo do Pote de Ouro do Maná que se encontrava na Arca. Este maná é o Ego ou Espírito humano, que dá vida aos organismos que vemos no mundo físico.- Encontra-se oculto dentro 6 Arca de cada ser humano, e o Pote Dourado ou corpo-alma, o ""Dourado Manto Nupcial"", encontra-se também latente dentro de cada um. Ele torna-se mais consistente, brilhante e resplandecente pela alquimia espiritual, quando o serviço é transmutado em crescimento anímico. É a casa não construída pelas mãos, eterna nos céus, vestimenta com a qual Paulo desejava ardentemente estar revestido, como disse na Epístola aos Coríntios. Todo aquele que se esforça em ajudar sem interesse seu semelhante acumula tesouros. no céu, onde nem a traça nem a ferrugem podem destruí-los.

A Vara de Arão

Uma antiga lenda relata que quando Adão foi expulso do Jardim do Éden, levou consigo três mudas da Árvore da Vida, que depois foram plantadas por Seth. Seth, o segundo filho de Adão é, de acordo com a lenda Maçônica, pai da hierarquia espiritual dos clérigos que efetuam um trabalho com a humanidade através do catolicismo, enquanto os filhos da Caim são os artífices do mundo. Estes são ativos na franco-maçonaria promovendo o progresso material e industrial, como os construtores do Templo de Salomão, o universo, deviam ser. As três mudas plantadas por Seth tiveram importante missão no desenvolvimento espiritual da humanidade, e uma delas julga-se ser a Vara de Arão.

No começo da existência concreta, a geração era realizada sob a sábia direção dos anjos, os quais favoreciam o encontro dos seres quando os raios interplanetários propiciavam o emprego da força criadora, e o homem foi também proibido de comer o fruto da Arvore do Conhecimento. A natureza daquela árvore foi claramente explicada pelas sentenças bíblicas: "Adão conheceu Eva e ela concebeu Caim"; "Adão conheceu Eva e ela concebeu Seth"; Como posso conceber se não conheço varão?" foi a pergunta de Maria ao Anjo Gabriel. À luz dessa interpretação, a afirmação do Anjo (não foi uma maldição) "morrendo, morrereis", quando descobriu que seus preceitos foram desobedecidos, torna-se compreensível, pois os corpos gerados fora da influência cósmica não podem pretender subsistir. Em conseqüência, o homem foi exilado do reino etérico das forças espirituais

(Éden), onde cresce a árvore do poder vital. Foi exilado para a existência concreta no corpo denso que ele mesmo gerou para si. Isto foi realmente uma bênção, pois quem

de nós possui um corpo totalmente saudável e perfeito, segundo o nosso próprio julgamento, para poder viver nele para sempre? Por isso, a morte é um benefício e uma benção, tanto quanto nos possa capacitar a regressar aos reinos espirituais periodicamente, para aí construirmos melhores veículos para cada retorno à vida terrestre. Como disse Oliver Wendell Holmes:

Oh, Minha'alma! Constrói para ti mansões mais majestosas,

enquanto as estações passam ligeiramente,

Abandona o teu invólucro finalmente;

Deixa cada novo templo, mais nobre que o anterior,

com cúpula celeste, com domo bem maior,

e que te libertes decidida

largando tua concha superada nos agitados mares desta vida.

No curso do tempo, quando aprendemos a evitar o orgulho da vida e a luxúria da carne, o ato procriador cessará de esgotar nossa vitalidade. Então, a energia vital será usada para a regeneração, e os poderes espirituais, simbolizados pela Vara de Arão, serão desenvolvidos.

A vara de condão do mágico, a lança santa de Parsifal, o Rei do Graal, e a Vara de Arão que floresceu, são emblemas dessa divina força criadora que executa tais maravilhas, às quais chamamos milagres. Entretanto, deixemos bem claro que ninguém que chegue a tal ponto na evolução, simbolizado pela Arca da Aliança na Sala Oeste do Tabernáculo, usará esse poder para fins egoístas. Parsifal, o herói do mito da alma, ao vencer a tentação de Kundry e provar a si mesmo estar emancipado do maior de todos os pecados, os da luxúria juntamente com a falta de castidade, recuperou a lança sagrada roubada pelo mágico Klingsor do vencido e impuro Rei do Graal, Amfortas. Por muitos anos viajou pelo mundo, procurando encontrar novamente o Castelo do Graal e disse: "Muitas vezes, acossado por inimigos, fui tentado a usar a lança em defesa própria, mas sabia que a lança sagrada nunca deveria ser usada para ferir, mas somente para curar".

Essa é a atitude de todo aquele que desenvolve dentro de si a florida Vara de Arão. Embora possa usar essa faculdade espiritual numa causa nobre, corno prover pães à multidão, ele jamais pensará em transformar pedras em pão para matar a própria fome. Mesmo que seja pregado à cruz para morrer, não se livrará dela com o poder espiritual que adquiriu para salvar outros do túmulo. Ainda que todos os dias seja chamado de charlatão ou acusado de fraude, de modo algum usará o seu poder espiritual para dar um sinal que o mundo possa reconhecer que ele é um regenerado ou nascido do céu. Esta foi a atitude do Cristo-Jesus, imitada por todo aquele que é um Cristo em formação.

Capítulo V - A SAGRADA GLÓRIA DE SHEKINAH


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